22.7.17

[Resenha] It - A Coisa

Autor (a): Stephen King
Editora: Suma de Letras
Ano: 2014
Lido em:  março de 2017
Nº de Páginas: 1103
Onde Comprar: SARAIVA

 Durante as férias escolares de 1958, em Derry, pacata cidadezinha do Maine, Bill, Richie, Stan, Mike, Eddie, Ben e Beverly aprenderam o real sentido da amizade, do amor, da confiança e... do medo. O mais profundo e tenebroso medo. Naquele verão, eles enfrentaram pela primeira vez a Coisa, um ser sobrenatural e maligno que deixou terríveis marcas de sangue em Derry. Quase trinta anos depois, os amigos voltam a se encontrar. Uma nova onda de terror tomou a pequena cidade. Mike Hanlon, o único que permanece em Derry, dá o sinal. Precisam unir forças novamente. A Coisa volta a atacar e eles devem cumprir a promessa selada com sangue que fizeram quando crianças. Só eles têm a chave do enigma. Só eles sabem o que se esconde nas entranhas de Derry. O tempo é curto, mas somente eles podem vencer a Coisa.

 IT - A COISA conta a história de 7 crianças na faixa etária de 10 anos que enfrentaram uma criatura maligna nunca antes vista na história da humanidade em 1958: o Pennywise.
 Juntos, esses jovens formam o Clube dos Otários que tem como líder Bill Denbrough. Todos eles tem um inimigo em comum - dois conforme o enredo se desenrola - e que por conta disso os uni em circunstâncias perigosas.
 Assassinatos estão ocorrendo na pequena cidade de Derry e crianças na faixa etária de 3 a 19 anos estão sendo mortas de maneiras brutais e locais adversos. Ninguém sabe quem é o assassino e o toque de recolher se tornou vigente. Nenhuma criança deve andar sozinha pelas ruas a partir das 19h.
 Bill foi o primeiro do grupo a ter contato com a morte, o seu irmão mais novo morreu nas mãos de Pennywise, A Coisa.
 É fascinante ver o autor criar uma entidade tão poderosa, mas que ao mesmo tempo possui fraquezas que nem mesmo ela faz ideia que possui por conta da sua existência superior. Ela gosta do medo e as crianças tem cada medo irracional e fácil de materializar que Pennywise não perde tempo e se materializa nele para poder matar cada um conforme a sua fome chega. Mas essa fome não é sempre que vem forte, mas quando vem é em ciclos de 25/30 anos e nesses momentos só resta rezar para o seu filho não ficar sozinho. Mas a entidade é esperta e sabe transformar os acidentes em pura fatalidade, consegue esconder as suas pegadas muito bem.
Foto: Bruno Marukesu
 1957/58 é o ciclo e a Coisa está a todo vapor atraindo as crianças para lugares escuros, canos e bueiros. George, o irmão de Bill, foi levado mas o jovem não vai deixar barato não!
 Com maestria, Stephen King cria o Clube de Otários de maneira tão forte que você acaba acreditando que essas crianças podem fazer e deter qualquer coisa tamanho o poder que é irradiado quando os mesmos estão juntos. O melhor de tudo é ver que cada personagem foi muito bem desenvolvido com passado sem furos e personalidade própria. Cada um deles sofre algum tipo de intolerância/preconceito/bullying que ao invés de colocá-los para baixo os tornam forte conforme eles se conhecem e depositam sua fé no outro. A dor que eles sentem se torna mínima quando eles estão reunidos no Barrens.
 Por motivos misteriosos e estranhos que só são revelados lá pelas últimas 200 páginas, cada um dos 7 (Bill, Ben, Beverly, Eddie, Mike, Richie e Stan) são seduzidos pela Coisa que não consegue comê-lo, é como se alguma outra entidade os protege-se.
 Conforme os ataques continuam com crianças desaparecem em Derry e nenhum jornal ou mídia fazendo ligação entre os assassinatos e desaparecimentos, o Clube dos Otários se fortalece e acabam percebendo uma determinação em comum: eles querem deter o Pennywise.
 Mesclando cenas de puro terror que remete aquele medo irracional infantil que cada humano teve na infância, presenciamos o crescimento e união dos 7 crianças ao lidar contra o valentão Henry Bowers e seus comparsas que a qualquer custo tentam afligir dor física - mais dor física do que psicológica - aos nossos protagonistas mirins. Tais cenas são muito revoltantes pois traduz o quanto as crianças podem ser más e os adultos ignoram como sendo uma fase.
Foto: Bruno Marukesu
 São vários os temas polêmicos abordados nesse calhamaço de 1103 páginas, dentre os quais cito a mentalidade de um psicopata, o complexo de Jocasta, abuso infantil disfarçado de proteção, negligência, violência doméstica, racismo, homofobia, machismo, intolerância religiosa, estereotipo e por ai vai...
 IT não trata somente de um ser maligno que devora crianças, retrata como era a sociedade no século passado e nos coloca para refletir o quanto ainda existe mentes fechadas, hipócritas e intolerantes em pleno século 21!
 Intercalado entre a infância dos protagonistas (e a primeira batalha deles contra o Pennywise) e o futuro presente deles (1984/85), vemos o quanto as promessas de infância podem ser levadas a sério e no caso dessa história o quanto ela é essencial para tentar destruir um ser maligno inimaginável para os adultos e para a racionalidade humana.
 Um fator negativo que pude perceber mas que já percebi ser uma característica do rei King é o fato dele jogar muitos detalhes e situações do passado para situar o leitor no local e do porque certas ações ocorreram, você não fica com aquela dúvida do porque foi mencionado um evento pois ele é explicado nos mínimos detalhes. Essa riqueza de cenas, essa construção dos panoramas atrapalha e muito pois você se sente dando voltas e voltas até que uma cena importante de fato aconteça. Me vi em vários momentos pulando parágrafo inteiros e voltando depois para ler e constatar que não fez a miníma diferença  sua existência.
 Stephen King pode ser o rei do terror mas também cria muitas cenas, detalhes e panoramas desnecessários para o entendimento das situações. E infelizmente It não é a primeira obra do autor em que percebo essa característica, ele insiste em abarrotar de informação os seus enredos e para quem gosta disso é um prato suculento que deve ser saboreado devagar.
Foto: Bruno Marukesu
 Por incrível que pareça tive pesadelos por conta do Pennywise, foi surpreendente ver o quanto paranoico pude ficar por conta de um livro e o quanto sou capaz de devorar um enredo quando eu quero.
 Não encontrei furos no enredo a não ser o porquê da Coisa se autointitular Pennywise e esse é um mistério que me deixa bastante curioso. Mas a maior viagem que tive foi em saber o que essa entidade sanguinária é, foi bem difícil engolir o que o autor propôs e devo ter que repensar durante anos se aceito ou não o que o autor apresentou como sendo a verdadeira face da Coisa.
 Dos protagonistas eu me vi torcendo por todos, mas com carinho especial pela Beverly com sua força, Eddie pela sua superação contra o domínio da mãe e Richie com suas imitações baratas e idiotas. Senti muita vontade de ter uma amizade tão pura como a deles pois ela não tem mistério, eles se amam e não tem vergonha de dizer ou sentir.
 O clímax se desenrola muito agonizantemente e quando termina você não consegue acreditar até que chega a última página em branco do calhamaço.
 A capa do livro é aterrorizante demais, quem tem medo de palhaço não recomendo ficar olhando. Com páginas amareladas, as letras estão num tamanho agradável de se ler e os capítulos devo confessar que os considerei longos.
 Recomendo a obra para todo leitor amante de terror ou que deseja experimentar ler algo do mestre King. Mas não recomendo para menos de 15 anos por conter cenas que podem induzir os menos esclarecimentos a querer imitar inocentemente.

P.S: publicado originalmente no Gettub.

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