7.1.14

Livros ao Vento#22 - Presas – A Dádiva da Escuridão



 
Autor (a): Marco de Moraes
Editora: Novo Século (selo Novos Talentos da Literatura Brasileira)
Ano: 2013
Nº de Páginas: 288
Lido: em dezembro de 2013
Nota:

***
 Sinopse:
 Estas são as lembranças de um andarilho que teve de recomeçar sua jornada quando se vê em um sombrio e nebuloso pântano, rodeado de cadáveres humanos. Perdido e amedrontado por não lembrar-se sequer do próprio nome, percorre florestas e estradas em busca de sobrevivência e acaba entrando em contato com o povo de um humilde condado. Além de percorrer suas vagas recordações e tentar entender a magia que o atrai tanto àquele lugar, ele ainda deverá enfrentar os filhos da noite, as sanguinárias criaturas que insistem em persegui-lo.
Neste cenário perturbador e atraente, as horas parecem dias, criando uma mistura de pesadelo e realidade; e os limites entre luz e escuridão se perdem a cada dia em meio a névoa, fazendo com que essas criaturas dominem e perdurem na escuridão.


 Insensatos, meus passos mudos eram por vontade de sair de lá, até que um calor repentino senti vindo à direita, chamando a minha atenção: uma luz fosca que cobria de vermelho um pequeno corpo em pé, uma criança assustadora na sombra, seminua. Besta precoce...
Pg. 63
  Resenha:
 O desconhecido acorda num pântano cercado de corpos em avançado estado de composição. Ele não se lembra do seu próprio nome e nada antes do despertar no pântano. É nesse cenário que começamos acompanhar o protagonista que está à procura de respostas para saber quem ele é.
 Numa terra hostil, onde os forasteiros são vistos com maus olhos, o desconhecido procura um meio de sobreviver. Ele sente uma dor desconhecida em seu pescoço e, em meio às terras escuras, ele se depara com seres da noite que tomaram conta das terras por onde ele anda. Esses seres são dotados de enorme força, pele pálida quase translúcida e dentes pontiagudos. Sim, esses seres são vampiros.
***
 Olá peregrinos. Como vocês estão?
 Bom, eu demorei um tempinho para ler a obra e levei o dobro de tempo para fazer a sua resenha (cerca de cinco ou seis dias). Isso aconteceu porque o autor, Marco de Moraes, usa uma escrita rebuscada e que, mal lida, faz a gente se perder no enredo e querer abandonar a leitura da obra. Esse é a minha opinião.
 Mas não me entendam mal, peregrinos. O autor escreve muito bem, mas por esse fator o livro se torna cansativo e fácil de ser mal compreendido. Ele usa muitas alegorias de pensamento que eu achei desnecessárias em certos momentos. Acho que vocês não devem estar entendendo o que digo, não é?
 Bom, para ser mais direto, o autor escrever da maneira que os grandes autores brasileiros escreviam na virada do século XVIII. Posso comparar a escrita de Marco aos grandes autores Eça de Queirós, Aluísio de Azevedo e Graciliano Ramos. Para quem não gosta desse tipo de escrita o livro se torna cansativo.
 Eu gosto de ler obras clássicas, mas confesso que tenho dificuldade em entender as escritas. Por sorte, o Marco não usou palavras coloquiais permitindo que leiamos a sua obra sem precisar ter o dicionário debaixo do braço. Mas é compreensível a sua escrita afinal a história é contada na era medieval e onde já se viu escrever uma história dessa época com gírias atuais, correto? Seria o cúmulo.

 Irwin (nome que dão ao desconhecido protagonista) não se lembra de absolutamente nada do seu passado. Temos a impressão que ele nasceu já adulto no meio do pântano onde ele acorda. Ele não compreende porque está no pântano e cercado de corpos. Logo, ele passa a caminhar sem destino traçado.
 Numa estrada, ele encontra dois homens que estão numa carruagem seguindo para um destino não especificado (pelo menos eu não compreendi). Os mercadores se chamam Ewan e Finlay. Após a confirmação da carona eles enfrentam uma viagem bastante monótona, chegando a um pequeno condado chamado Wisewood. Lá, Irwin não consegue emprego em nenhum lugar, mas é contratado por Ewan. Entretanto, Ewan o vende para os guardas do reino.
 Irwin se torna um escravo, mas sem saber como foi parar nessa situação, pois Ewan o havia drogado na noite passada. Depois de sofrer bastante nas mãos dos cavalheiros reais, Irwin consegue fugir. Mas ele está fraco. Por sorte, seres da noite chegam e o ajudam a fugir e depois de muito penar ele consegue chegar à Wisewood.
 Irwin ainda não descobriu nada sobre o seu passado e ele toma a decisão, depois de passar por varias ocasiões perigosas, de voltar ao castelo do reino, pois acredita que suas perguntas serão respondidas pelo rei.
 Mesmo o livro tendo poucas páginas (pelo menos no meu ponto de vista), sempre está acontecendo algo com o nosso protagonista que não tem aptidão para absolutamente nada sendo somente um peso vivo. Confesso que o começo da história não me prendeu muito por eu estar me adaptando à escrita do autor (que à primeira vista achei muito regado a enrolações), mas a partir do momento que me acostumei fiquei preso na história de uma forma até assustadora.
 Não consegui adivinhar nada sobre Irwin (que, no final das contas, nem é o seu nome verdadeiro). Ele é um mistério em pessoa. Tentei adivinhar quem ele era, mas desisti optando por entrar no suspense criado pelo autor. Mas depois que tive minhas dúvidas respondidas odiei ainda mais o protagonista. Parabenizo o autor pelo final da história de Irwin. Eu não teria achado desfecho melhor.
 Há personagens que acabam se destacando na história e outros que eu acreditei que teriam destaques, mas que desapareceram enquanto o protagonista prosseguia em seu caminho por respostas. Dentre os personagens que valem a pena ser mencionados tem:
 Serge que acompanha o Irwin na metade do livro para o final. Gostei bastante do Serge, mas eu o achava compulsivo demais. Admira-me ele ter sobrevivido durante a história. (spoiler)
 Também há a Beatrice que achei muito carente. Uma mulher que procura o amor, mas não encontro ainda. Que quase vivia o amor através da sua prima, e rainha do reino. De uma inocência duvidosa, eu me surpreendi com o seu final.
 E há o tutor/conselheiro do rei chamado Dunham. Esse é um homem sem medidas e ética. Odiei muito esse personagem. Os momentos que ele apareceu sentia vontade de enfiar uma estaca em seu coração.
 Como percebem, o enredo gira em torno de vampiros. Estamos num reino onde a noite é dominada por esses seres da noite. E o autor mudou a maneira tradicional de se matar um desses seres sobrenaturais e creio que isso me chamou atenção (mesmo estranhando no começo).
  Gostei bastante do enredo criado pelo autor. Fiquei muito feliz quando ele cedeu um livro para resenha e espero que ele entenda o meu ponto de vista.
 A capa do livro está muito linda em sépia. Fiquei babando por ela. O texto é escrito em terceira pessoa. A fonte das letras é bastante confortável e as páginas são amareladas o que proporciona uma leitura mais rápida e focada. A editora está de parabéns pela edição. Infelizmente, eu encontrei vários erros de ortografia que me atrapalharam um pouco na leitura da obra. Mas o livro é muito bom. Proporciona boas horas de leitura e nos faz perceber que ainda há autores bons para disseminar o gênero vampiresco. Recomendo a todos a leitura dessa obra.
P. S. = Me pergunto como será o segundo livro da série, pois não vejo continuação para a história e o final não abre buracos para tal.

Jaataamashita (Até Logo) *-*