23.12.13

Livros ao Vento#21 - O Mago de Camelot

 
 


Autor (a): Marcelo Hipólito
Editora: Novo Século (selo Novos Talentos da Literatura Brasileira)
Ano: 2013
Nº de Páginas: 152
Nota:
***
*Sinopse (retirada no Skoob):
 De uma infância pobre e sofrida à irresistível ascensão aos salões dos grandes reis; de um começo sem esperanças ao despertar de um poder inigualável e temido, Merlin vem a se tornar o homem mais influente da Idade das Trevas. Confidente supremo do rei Artur e maior conselheiro da corte de Camelot. Misterioso e enigmático. Amado e odiado. Druida, monge e mago. Na Britânia do Século V da Era Cristã – abandonada pela queda do Império Romano à barbárie dos invasores saxões –, Merlin surge para impor um novo tipo de rei a um povo abatido e desesperado, alterando, para sempre, não apenas o destino dos britânicos, mas de toda a humanidade. A saga de um homem determinado a erigir uma civilização de paz e justiça numa terra devastada pelo caos e pela guerra irrompe em uma aventura épica e brutal que equilibra realismo duro com doses amargas de magia. "O druida, então, abriu um sorriso malévolo aos soldados saxões. Hengist gritava às suas tropas para se manterem firmes, mas sua vanguarda ruía à medida que um resoluto Merlin avançava, a passos largos, na sua direção. A defesa saxônica se fragmentava perante o pavor supersticioso imposto pela figura aterrorizante do druida. Face à derrota iminente, Hengist se desesperou, girando seu machado e galopando para Merlin. O druida estancou diante do ataque rápido e brutal do rei saxão. Sem tempo para conjurar um feitiço protetor, Merlin percebeu, tardiamente, a estupidez de seu erro. Em sua soberba e imaturidade, ambicionara vencer sozinho a batalha. Agora, contudo, sua queda restauraria o ânimo dos saxões, desgraçando o contingente britânico. Merlin experimentou o fragor das narinas do cavalo e o tremor do solo sob seus cascos potentes. O machado de Hengist se projetou para lhe separar a cabeça dos ombros".

 “Entretanto, seus estudos haviam-lhe conferido uma concepção distinta e inovadora, na qual a humanidade deveria abraçar a razão em vez da superstição, a matemática no lugar da feitiçaria, a lógica sobre a fé. Desde então, Merlin, jurara libertar a mente e o espírito humanos do jugo da religião. Nem druida, nem monge. Agora, chamava a si mesmo de mago”.
Pg. 86/87

*Resenha:
 Em pleno século III, da era Cristã, a Britânia Romana sofre com constantes disputas de terras contra os saxões. E em meio a essas disputas há a existência de druidas (ancestral ordem de homens sagrados que detêm o poder da Natureza).
 Todo rei britânico acaba pedindo ajuda dos druidas ao mesmo tempo em que os temem. E nesse mundo, um garoto chamado Merlin tem o seu destino traçado para se tornar um druida. Não que ele estivesse fadado a isso, mas as circunstâncias atenuantes acabaram o obrigado a se tornar um e, em meio a traições contra reis, batalhas contra saxões e disputa por mulheres lindas, Merlin veio para trazer futuramente o homem que acabaria com essa carnificina e mudaria esse mundo.
***
 O enredo da obra começa com a garota Nimue querendo chegar a Avalon (ilha dos druidas). Tendo fugido de casa quando criança, ela cresceu absorvendo os nutrientes da floresta. Ela conseguiu coexistir com a Natureza sem maltratá-la e por isso Nimue podia ser confundida com um druida, mas ela não era. Os druidas não treinavam mulheres. Sendo rejeitada por eles, ela passou a estudar (não sei como) os feitiços e poções da Natureza. Num dia, ela recebe a visão de que deveria alertar os druidas em Avalon sobre um ataque iminente dos britânicos à ilha. Mas ela chega tarde demais (a ilha já havia sido exterminada de vida druida) e é estuprada, e em seguida morta, pelos britânicos que a lançam ao mar.
 A história dá um pulo significativo no tempo. Estamos há duzentos anos depois da morte de Nimue. A guerra entre os britânicos e saxões continua e em meio a vilas que estão sempre sendo saqueadas conhecemos dois jovens irmãos. São eles Nennius (o mais velho) e Merlin (o caçula).
 Os dois irmãos miseráveis tem uma mãe vagabunda (oh mulher desgraçada essa) que sempre está espancado eles e que os obriga a roubar comida pela vila. Num dia, como todos os outros, os irmãos avistam um monge com uma bolsa pesada (provavelmente cheia de moedas). Achando que conseguiram enganar o monge, eles tentam assaltá-lo, mas o plano dá errado e os dois são mandados para um calabouço. Lá, eles vivem como ratos e depois de sete meses definhando, eles são soltos e jogados dentro de uma carroça.
 Dias depois, eles chegam a um castelo aonde o homem que conduzia a carruagem apresentado os dois ao rei britânico, usurpador, Vertignor. Os dois são oferecidos como oferenda para deixar uma muralha do rei fortalecida. Mas o plano que era para matar os dois acaba dando errado quando Blaise (o druida que conduzia a carruagem dos irmãos) tenta apunhalar Merlin, mas tem sua trajetória desviada, pela Natureza, para o irmão mais velho.
 Blaise vê uma profecia no destino de Merlin, através do sangue de Nennius, e o salva. Daí, Merlin passa a ser aprendiz de Blaise sem esquecer que quer se vingar do velho pela morte do irmão.
 Anos depois, as disputas entre britânicos e saxões perduram sendo recheada a traições, conspirações, estupros, saques e carnificinas; e Merlin se tornou um brilhante druida.
 Blaise e Merlin passam a aconselhar o atual rei, Aurelius, que tempos depois é morto e em seu lugar fica o seu irmão Uther. Numa ocasião em que Uther deseja a mulher de um ex-amigo seu, o rei recorre a Merlin que o ajuda, mas com a condição de que o filho que nasça do ato sexual seja entregue à Merlin. O plano dá certo e Merlin leva a criança.
 O nome da criança?
 Arthur Pendragon.
***
 Olá peregrinos. Como vocês estão?
 O livro hoje resenhado foi cedido em parceria com o autor Marcelo Hipólito (muito obrigado pelo exemplar, Marcelo *-*). Vamos as minhas análises durante a leitura da obra?
 Merlin era um garoto meigo que tinha admiração pelo seu irmão mais velho, Nennius. Eles tinham uma mãe carrasca que os espancava constantemente e os obrigava a roubar na vila. Numa ocasião, os dois se deram mal e foram presos pelos guardas locais e jogados num calabouço para definhar pouco à pouco.
 Mas tempos depois, 07 meses, os dois irmãos são levados a um castelo para serem oferendas de um ritual druida.
 Até essa parte da história o autor, Marcelo, recheia a história com constantes mudanças na coroa britânica. Presenciamos várias traições e assassinatos, demonstrando que a época em que a história se passa ninguém pode confiar em ninguém.
 O autor soube escrever muito bem o enredo. Não sentimos que ele está enrolando nas descrições e ações durante a história e isso foi um lado negativo, pelo menos para mim. Uma história medieval carece de detalhes e observações de cenários. Não estou dizendo que o autor escreve ruim. Pelo contrário, ele escreve tão bem que eu necessitava de mais páginas e enrolações para ficar preso ao mundo de Merlin. Pelo livro ser curto, somos jogados nas cenas de ações muita rapidamente e elas acabam quase que com um estalar de dedos. Também há vários pulos de tempo na história. Por isso eu repito, histórias medievais necessitam ser longas em sua escrita para envolver melhor o leitor e termos uma base mais sólida da época e enredo.
 A obra, em si, é muito boa e me surpreendi com a escrita do autor. Não esperava que pudesse ler um livro nacional e sentir como se ele tivesse sido escrito por um autor estrangeiro renomado. Isso me surpreendeu demais.
 Agora sobre os personagens... No inicio, gostei bastante de Merlin, mas conforme ele crescia acabei desgostando dele por causa de muitas das suas atitudes (não vem ao caso mencioná-las), mesmo o autor inserindo situações que você podia gostar dele. Terminei a leitura sem sentir nenhuma admiração por Merlin.
 Blaise é um desgraçado de um druida interesseiro que só pensa em sua ordem e tenho orgulho de dizer que eu O-D-E-I-O esse personagem. Ansiei até o final do livro pela morte dele, mas vocês só saberão se eu tive o meu desejo realizando lendo a obra hehe
 Arthur é um garoto que você acaba gostando dele, de primeira, mas em algumas atitudes perto do final do livro você o vê como um fraco. Queria que ele tivesse sido mais feliz. Entretanto, sua administração como rei é excelente. Ele soube ver as rachaduras do seu reino e consertá-las. Trouxe mudanças para a época que eu não achava que pudesse ocorrer por causa da maldita nobreza. Creio que isso se deve pelo fato de o Artur ter crescido por entre as vilas pobres e presenciado a miséria do povo (a mesma miséria que Merlin sofreu).
 O Lancelot aparece em poucos momentos no enredo e eu ansiava para que ele tivesse mais destaque, mas não teve :(
 A editora, Novo Século, está de parabéns pela edição do livro. A capa é muita linda (só não compreendi porque havia esse maldito dragão, pois não há esse ser mitológico na história). As páginas são amareladas e a fonte da letra é boa para fazer a leitura fluir mais rapidamente. A diagramação está praticamente perfeita; encontrei somente um erro na estrutura de uma frase (quando a frase transmitia ser do narrador, mas que aparecia com um travessão no começo, dando a entender que era uma fala de um dos personagens).
 Encerro a resenha dando meus sinceros parabéns ao Marcelo Hipólito por ter escrito com maestria um livro excelente como esse. Você é um orgulho para a literatura nacional. Espero ler outras obras suas, futuramente, e poder me saciar mais um pouco com a sua escrita. E pode ter a certeza que você já entrou na minha lista de autores favoritos, não por termos firmado parceria, mas sim porque você escreve com a alma. :)
***
 E aí peregrinos, o que vocês acharam da resenha?
 Já leram o livro? Desejam? Deem a sua opinião e, se possível, compartilhem essa resenha nas redes sociais para ajudar na divulgação da obra do autor.
Jaataamashita (Até Logo) *-* 

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3 comentários:

  1. Oi Bruno

    Já li esse livro, mas não é muito meu estilo por isso não curti muito a leitura, mas sua resenha esta ótima.

    Olha me manda um e-mail com o seu endereço para eu enviar um marcador japonês para você kkk

    Beijos

    www.livrosechocolatequente.com.br

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    Respostas
    1. Oi Andressa :)
      Então, para quem não gosta muito de histórias medievais fica complicado se situar e gostar do enredo. Mas ele é bom para quem quer começar a se jogar dentro desse gênero.
      Sério, um marcador japonês para mim? Correndo agora para enviar um e-mail à você. :)
      Obrigado pelo comentário. Bs :*

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  2. Oi Bruno!
    Eu adorei a sua resenha! ^^
    Adoro a era medieval, mas nunca li muitos livros situados nela. Esse eu ainda não conhecia, mas parece ser bom. Ótima dica!

    BjO
    http://the-sook.blogspot.com.br/

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